Blog do Protógenes

21/09/2009

CARTA ABERTA DO MST

Aos amigos e amigas da luta pela terra
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Diante dos ataques da mídia gaúcha e da nova ofensiva de criminalização que assola nosso estado, gostaríamos de esclarecer e compartilhar com todos e todas, a difícil conjuntura agrária pela qual passa o Rio Grande do Sul.

As famílias acampadas no estado retomaram as mobilizações em agosto passado. Somaram-se às mobilizações da Jornada Nacional de Lutas que conquistou o assentamento das famílias vítimas do massacre de Felisburgo, após 5 anos de morosidade; a recomposição do orçamento do INCRA para obtenção de terras e a promessa de atualização dos índices de produtividade, defasados desde 1975.

Estas conquistas e o exemplo de que através da mobilização é possível pressionar os governos e obter conquistas – enquanto a mídia propagava que era preciso ficar quieto e fazer sacrifícios por parte dos trabalhadores para superar a crise – despertou toda a ira e a reação dos setores mais conservadores da sociedade.

Em uma “jogada combinada”, requentaram denúncias da CPMI da Terra sobre entidades que apóiam a reforma agrária, que já foram comprovadas como infundadas, e usam as mesmas velhas denúncias para criar uma nova CPI. Ao mesmo tempo em que gritam desesperadamente contra a atualização dos índices de produtividade, que a lei previa a atualização a cada cinco anos e que completam trinta e quatro anos de atraso.

No Rio Grande do Sul, a criminalização e a violência contra os movimentos sociais aumenta na mesma proporção em que se tornam cada vez mais evidentes as provas da atuação da quadrilha que ocupa o Palácio Piratini.

Com um agravante, tanto no estado, quanto nacionalmente, a inoperância, a lentidão e a falta de mecanismos para desapropriação pelo INCRA resulta não apenas no descumprimento do Termo de Ajuste de Conduta, assinado em 2007 e que previa o assentamento de 2 mil famílias, até hoje não cumprido, como em situações de precariedade nos novos e poucos assentamentos implantados. É o caso de São Gabriel, onde de fato, tudo o que foi construído nos assentamentos foi obra das próprias famílias que até hoje permanecessem sem acesso à educação e a saúde.

Foi esta situação em que 350 crianças perderam o ano letivo e outras três crianças faleceram por falta de atendimento médico no município, que levaram as famílias acampadas e assentadas da região à ocuparem a Prefeitura em agosto. O despejo desta ação está sendo investigado pela Comissão Estadual contra a Tortura pela evidência do uso de armas de choque e agressões contra pessoas algemadas, além de dezenas de feridos, com braços quebrados, estilhaços de bombas etc.

Apesar das denúncias de mais um de tantos atos de criminalização, a situação permaneceu inalterada e um novo despejo, desta vez da Fazenda Southall, não teve a omissão das autoridades públicas, pelo contrário, contou com a participação efetiva do Ministério Público Estadual. O descontrole, a violência e a truculência que são marcas deste Governo do Estado vitimaram o trabalhador sem terra Elton Brum. O seu assassino, provavelmente segue nas ruas, já que misteriosamente teria sido identificado, mas não detido. Seu inquérito esconde muitas lacunas e a possibilidade de que esta sendo construída uma história fictícia é evidente.

Mesmo diante da brutalidade dos fatos, as famílias acampadas esperavam ao menos conquistar o assentamento nas Fazendas Antoniazzi, também em São Gabriel. Surpreendentemente, o INCRA desiste destes sete mil hectares, ao mesmo tempo em que não oferece nenhuma outra área ou possibilidade de assentamento. Comprovando o que já se imaginava: não há nenhuma perspectiva de novos assentamentos pelo próximo período no Rio Grande do Sul. Há fortes indícios de que não são problemas com os herdeiros da área que impedem esta desapropriação, mas irregularidades técnico-administrativas do próprio órgão.

Novamente, diante deste quadro, não tínhamos outra opção se não pressionar o próprio INCRA. Que outra opção teríamos? Os acampamentos nas margens das estradas estão sendo despejados, como novamente ocorre agora em Sarandi; os acampamentos dentro de áreas de assentamentos também estão ameaçados e não são considerados pelo INCRA, daí a diferença entre o número real de famílias acampadas e o número divulgado pelo Instituto. Se não podemos permanecer nem no latifúndio, nem na margem das estradas, a quem deveríamos pressionar se não o órgão constitucionalmente responsável pela reforma agrária?

Porém, durante a ocupação do INCRA, não apenas confirmamos que não haverão novos assentamentos, como nos vimos diante da intolerância, da falta de diálogo e de um discurso publicitário e falso do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Decidimos nos retirar tanto do INCRA, quanto de São Gabriel, para evitar novos conflitos, já que o ministro Guilherme Cassel entregou a questão da reforma agrária à Polícia Federal, além de desqualificar as famílias em nota à imprensa.

Infelizmente, esta situação de tensão, combinada com descaso, gerou indignação e comportamentos individuais de revolta, que desaprovamos, mas não corresponde aos números exagerados divulgados pelo INCRA e MAPA na imprensa.

Lamentamos também a postura do MAPA, que é quem está realmente “enquadrado”. O que deveria ser um órgão público a serviço de toda sociedade, reduz-se à ao trabalho de ser balcão de negócios e “garoto de recados” do agronegócio. Sua fragilidade e dependência ficam evidentes quando o Governo Federal decide atualizar índices de produtividade – trinta anos defasados – e o Ministério sai em defesa de seus verdadeiros senhores com medo que os índices revelem que por trás de toda publicidade do agronegócio, só o que existe são volumosos recursos públicos.

Não significa que desistimos da luta. A própria conjuntura não nos oferece outra opção que não seja lutar, pois sequer permanecer na beira de estradas é permitido no Rio Grande do Sul. Novas mobilizações virão e com elas, podem ter certeza, mais e mais ataques desqualificados, mais matérias plantadas nos jornais, mais gritos de um latifúndio sustentado pelos créditos financeiros estatais.

Mas temos a convicção de que todas as 14.000 famílias assentadas no Rio Grande do Sul conquistaram suas terras através da luta e somente através dela. Não foram benefícios concedidos, nem regalias. E será através da luta que as 2 mil famílias acampadas no estado também serão assentadas e que erradicaremos a pobreza e a miséria do campo.

 

Coordenação Estadual MST - RS


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Por Protógenes Queiroz às 13h10


 

PROTÓGENES NO PARANÁ



“A saída é a participação política”, ensina Protógenes Queiroz em Londrina

 

“O Brasil precisa de ação. A saída é a participação política. O papel de fiscalizar e exigir dos administradores. Daí pão a quem tem fome. Não dá mais para esperar tem que participar”. A receita é do delegado da Policia Federal, Protógenes Queiroz, o cavaleiro da esperança deste início de século 21. A esperança de livrar o país da corrupção, que assola o território desde que os portugueses aqui chegaram.

 

Por onde passa, Protógenes arrasta multidões. E em Londrina, cidade do norte do Paraná, não foi diferente. Cerca de mil pessoas, entre alunos, pais e mães, foram ao Teatro do Marista na promoção do Portinari Multi Cultural ver durante duas horas o que o delegado que preencheu a sua vida em prender corruptos e recuperar recursos aos cofres públicos, numa estimativa de R$ 10 bilhões de dólares. O delegado que ficou famoso pelas prisões inéditas de políticos e banqueiros influentes da República.

 

“A palestra de combate à corrupção é uma prestação de contas que este servidor público traz para você”, iniciou. Ele lembrou da menina de sete anos, que enviou uma carta com a bandeira do Brasil e com a seguinte frase: ‘Protógenes não desista’. “Esta caminhada que comecei no ano passado tem o compromisso de levar o que esta criança quer para o país.”

 

O delegado falou de filosofia. “A corrupção vem de um processo longo. Não pode haver sobreposição ou desequilíbrio entre o interesse público e o privado. A distância entre estes dois conceitos dá margem para a corrupção e atos lesivos ao estado brasileiro”, afirmou.

 

Ele falou da história da corrupção. Os alunos, a sua grande maioria menores de 18 anos, entenderam porque desde 1.600 o país é saqueado. “A falta de punição. O clima de impunidade principalmente para os poderosos. Isto geral um descontrole total no país”, garantiu.

 

Protógenes Queiroz deixou como lição para acabar com a corrupção a indignação com responsabilidade. “O Brasil tem pressa. Sair do plano da indignação pública para agir”, diz. Ele contou a história do povo da cidade de Garanhuns, onde o presidente Lula nasceu, que se organizou para cobrar uma ponte que já deveria ter sido construída na cidade e simplesmente os recursos sumiram, virou manifestação na Câmara de Vereadores, depois uma CPI e por fim a cassação do prefeito. “Este tipo de ação dá resultado. A via é política”, ensina.

 

Quem sai da palestra do delegado Protógenes sabe que é hora de agir, organizadamente. Cada um fazendo a sua parte, com responsabilidade e compromisso com a coisa pública. Assim as coisas vão melhorar.

 

Visita ao prefeito Barbosa Neto

Além da palestra, em sua estada em Londrina, Protógenes Queiroz fez uma visita ao jovem prefeito de Londrina, Barbosa Neto, que elogiou o trabalho realizado pelo delegado no combate a corrupção. “São pessoas como você que precisamos para mostrar que o Brasil vai dar certo. O Protógenes é um herói no país de anti-heróis”, disse.
O delegado ressaltou a transparência com que o prefeito trata a administração pública. “Pela primeira vez vi um prefeito anunciando uma viagem internacional para buscar investimentos, detalhando quanto será o valor gasto, quantos dias ficará fora. Coisa rara nesta República brasileira”, opinou. “As prefeituras tem que ter mais transparência. Tratar a coisa pública como público”, completou.

Notificações

O delegado Protógenes Queiroz ao chegar a Londrina, no hotel onde se hospedou, foi recepcionado por um agente da Polícia Federal, que trazia duas notificações de procedimentos disciplinares: uma referente ao desarquivamento de um processo de 2003, que diz respeito à prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP/SP) e outro que tem a ver com o seu blog, que é produzido por jornalistas. Nesse procedimento, a PF alega que texto colocado no blog “afronta a imagem” da instituição. Com esses já chegam a nove os procedimentos abertos ou reabertos contra o delegado, desde o fatídico mês de julho do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Satiagraha.

De Londrina, José Otávio

 

 

Por Protógenes Queiroz às 10h24


 
Sobre o autor

Protógenes Queiroz é delegado da Polícia Federal. Foi quem efetuou a prisão de Paulo Maluf, do contrabandista Law Kin Chong, Daniel Dantas (banqueiro), Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Estiveram sob sua coordenação, em parceria com a Promotoria de São Paulo investigações do caso Corinthians/MSI , por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Queiroz também presidiu o inquérito sobre remessas ilegais de dinheiro para paraísos fiscais, que desvendaram movimentações de cerca de cinco milhões de dólares, das quais o ex-prefeito Celso Pitta seria o principal beneficiário.

Sobre o blog

A finalidade do blog é discutir e ampliar o debate sobre a corrupção no Brasil, a este antigo mal que corrói as instituições e os Poderes constituídos. Na lista de 2006 dos 163 países nominados pela Transparency International, o Brasil já aparecia, à época, ocupando a 70ª posição -, ao lado da Índia, China e México. É necessário enfrentarmos os problemas, uma vez que se torna mais fácil conquistar a soberania de um país dividido, sem identidade e corrompido, ao invés de uma pátria forte, convicta e esclarecida.

Histórico


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