Blog do Protógenes

15/05/2012

Eternos chapa-branca

 

 

O jornal O Globo toma as dores da revista Veja e de seu patrão na edição de terça 8, e determina: “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. Em cena, o espírito corporativo. Manda a tradição do jornalismo pátrio, fiel do pensamento único diante de qualquer risco de mudança.

 

Desde 2002, todos empenhados em criar problemas para o governo do metalúrgico desabusado e, de dois anos para cá, para a burguesa que lá pelas tantas pegou em armas contra a ditadura, embora nunca as tenha usado. Os barões midiáticos detestam-se cordialmente uns aos outros, mas a ameaça comum, ou o simples temor de que se manifeste, os leva a se unir, automática e compactamente.

 

Não há necessidade de uma convocação explícita, o toque do alerta alcança com exclusividade os seus ouvidos interiores enquanto ninguém mais o escuta. E entra na liça o jornal da família Marinho para acusar quem acusa o parceiro de jornada, o qual, comovido, transforma o texto global na sua própria peça de defesa, desfraldada no site de Veja. A CPI do Cachoeira em potência encerra perigos em primeiro lugar para a Editora Abril. Nem por isso os demais da mídia nativa estão a salvo, o mal de um pode ser de todos.

 

O autor do editorial exibe a tranquilidade de Pitágoras na hora de resolver seu teorema, na certeza de ter demolido com sua pena (imortal?) os argumentos de CartaCapital. Arrisca-se, porém, igual a Rui Falcão, de quem se apressa a citar a frase sobre a CPI, vista como a oportunidade “de desmascarar o mensalão”. Com notável candura evoca o Caso Watergate para justificar o chefe da sucursal de Veja em Brasília nas suas notórias andanças com o chefão goiano. Ambos desastrados, o editorialista e o líder petista.

 

Abalo-me a observar que a semanal abriliana em nada se parece com o Washington Post, bem como Roberto Civita com Katharine Graham, dona, à época de Watergate, do extraordinário diário da capital americana. Poupo os leitores e os meus pacientes botões de comparações entre a mídia dos Estados Unidos e a do Brasil, mas não deixo de acentuar a abissal diferença entre o diretor de Veja e Ben Bradlee, diretor do Washington Post, e entre Policarpo Jr. e Bob Woodward e Carl Bernstein, autores da série que obrigou Richard Nixon a se demitir antes de sofrer o inevitável impeachment. E ainda entre o Garganta Profunda, agente graduado do FBI, e um bicheiro mafioso.

 

Recomenda-se um mínimo de apego à verdade factual e ao espírito crítico, embora seja do conhecimento até do mundo mineral a clamorosa ignorância das redações nativas. Vale dizer, de todo modo, que, para não perder o vezo, o editorialista global esquece, entre outras façanhas de Veja, aquele épico momento em que a revista publica o dossiê fornecido por Daniel Dantas sobre as contas no exterior de alguns figurões da República, a começar pelo presidente Lula.

 

Concentro-me em outras miopias de O Globo. Sem citar CartaCapital, o jornal a inclui entre “os veículos de imprensa chapa-branca, que atuam como linha auxiliar dos setores radicais do PT”. Anotação marginal: os radicais do PT são hoje em dia tão comuns quanto os brontossauros. Talvez fossem anacrônicos nos seus tempos de plena exposição, hoje em dia mudaram de ideia ou sumiram de vez. Há tempo CartaCapital lamenta que o PT tenha assumido no poder as feições dos demais partidos.

 

Vamos, de todo modo, à vezeira acusação de que somos chapa-branca. Apenas e tão somente porque entendemos que os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma são muito mais confiáveis do que seus antecessores? Chapa-branca é a mídia nativa e O Globo cumpre a tarefa com diligência vetusta e comovedora, destaque na opção pelos interesses dos herdeiros da casa-grande, empenhados em manter de pé a senzala até o derradeiro instante possível.

 

Não é por acaso que 64% dos brasileiros não dispõem de saneamento básico e que 50 mil morrem assassinados anualmente. Ou que os nossos índices de ensino e saúde públicos são dignos dos fundões da África, a par da magnífica colocação do País entre aqueles que pior distribuem a renda. Em compensação, a minoria privilegiada imita a vida dos emires árabes.

 

Chapa-branca a favor de quem, impávidos senhores da prepotência, da velhacaria, da arrogância, da incompetência, da hipocrisia? Arauto da ditadura, Roberto Marinho fermentou seu poder à sombra dela e fez das Organizações Globo um monstro que assola o Brazil-zil-zil. Seu jornal apoiou o golpe, o golpe dentro do golpe, a repressão feroz. Illo tempore, seu grande amigo chamava-se Armando Falcão.

 

Opositor ferrenho das Diretas Já, rejubilado pelo fracasso da Emenda Dante de Oliveira, seu grande amigo passou a atender pelo nome de Antonio Carlos Magalhães. O doutor Roberto em pessoa manipulou o célebre debate Lula versus Collor, para opor-se a este dois anos depois, cobrador, o presidente caçador de marajás, de pedágios exorbitantes, quando já não havia como segurá-lo depois das claras, circunstanciadas denúncias do motorista Eriberto, publicadas pela revista IstoÉ, dirigida então pelo acima assinado.

 

Pronta às loas mais desbragadas a Fernando Henrique presidente, com o aval de ACM, a Globo sustentou a reeleição comprada e a privataria tucana, e resistiu à própria falência do País no começo de 1999, após ter apoiado a candidatura de FHC na qualidade de defensor da estabilidade. Não lhe faltaram compensações. Endividada até o chapéu, teve o presente de 800 milhões de reais do BNDES do senhor Reichstul. Haja chapa-branca.

 

Impossível a comparação entre a chamada “grande imprensa” (eu a enxergo mínima) e o que chama de “linha auxiliar de setores radicais do PT”, conforme definem as primeiras linhas do editorial de O Globo. A questão, de verdade, é muito simples: há jornalismo e jornalismo. Ao contrário destes “grandes”, nós entendemos que a liberdade sozinha, sem o acompanhamento pontual da igualdade, é apenas a do mais forte, ou, se quiserem, do mais rico. É a liberdade do rei leão no coração da selva, seguido a conveniente distância por sua corte de hienas.

 

Acreditamos também que entregue à propaganda da linha auxiliar da casa-grande, o Brasil não chegaria a ser o País que ele mesmo e sua nação merecem. Nunca me canso de repetir Raymundo Faoro: “Eles querem um País de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”. No mais, sobra a evidência: Roberto Civita é o Murdoch que este país pode se permitir, além de inventor da lâmpada Skuromatic a convocar as trevas ao meio-dia. Temos de convir que, na mídia brasileira, abundam os usuários deste milagroso objeto.

 

Fonte: Carta Capital

Por Protógenes Queiroz às 15h05


 
11/05/2012

Mino x Globo: Medo une o PiG

 

 

O Conversa Afiada reproduz editorial de Mino Carta, na Carta Capital:

 

Eternos chapa-branca

 

O jornal O Globo toma as dores da revista Veja e de seu patrão na edição de terça 8, e determina: “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. Em cena, o espírito corporativo. Manda a tradição do jornalismo pátrio, fiel do pensamento único diante de qualquer risco de mudança.

 

Desde 2002, todos empenhados em criar problemas para o governo do metalúrgico desabusado e, de dois anos para cá, para a burguesa que lá pelas tantas pegou em armas contra a ditadura, embora nunca as tenha usado. Os barões midiáticos detestam-se cordialmente uns aos outros, mas a ameaça comum, ou o simples temor de que se manifeste, os leva a se unir, automática e compactamente.

 

Não há necessidade de uma convocação explícita, o toque do alerta alcança com exclusividade os seus ouvidos interiores enquanto ninguém mais o escuta. E entra na liça o jornal da família Marinho para acusar quem acusa o parceiro de jornada, o qual, comovido, transforma o texto global na sua própria peça de defesa, desfraldada no site de Veja. A CPI do Cachoeira em potência encerra perigos em primeiro lugar para a Editora Abril. Nem por isso os demais da mídia nativa estão a salvo, o mal de um pode ser de todos.

 

O autor do editorial exibe a tranquilidade de Pitágoras na hora de resolver seu teorema, na certeza de ter demolido com sua pena (imortal?) os argumentos de CartaCapital. Arrisca-se, porém, igual a Rui Falcão, de quem se apressa a citar a frase sobre a CPI, vista como a oportunidade “de desmascarar o mensalão”. Com notável candura evoca o Caso Watergate para justificar o chefe da sucursal de Veja em Brasília nas suas notórias andanças com o chefão goiano. Ambos desastrados, o editorialista e o líder petista.

 

Abalo-me a observar que a semanal abriliana em nada se parece com o Washington Post, bem como Roberto Civita com Katharine Graham, dona, à época de Watergate, do extraordinário diário da capital americana. Poupo os leitores e os meus pacientes botões de comparações entre a mídia dos Estados Unidos e a do Brasil, mas não deixo de acentuar a abissal diferença entre o diretor de Veja e Ben Bradlee, diretor do Washington Post, e entre Policarpo Jr. e Bob Woodward e Carl Bernstein, autores da série que obrigou Richard Nixon a se demitir antes de sofrer o inevitável impeachment. E ainda entre o Garganta Profunda, agente graduado do FBI, e um bicheiro mafioso.

 

Recomenda-se um mínimo de apego à verdade factual e ao espírito crítico, embora seja do conhecimento até do mundo mineral a clamorosa ignorância das redações nativas. Vale dizer, de todo modo, que, para não perder o vezo, o editorialista global esquece, entre outras façanhas de Veja, aquele épico momento em que a revista publica o dossiê fornecido por Daniel Dantas sobre as contas no exterior de alguns figurões da República, a começar pelo presidente Lula.

 Anos de chumbo. O grande e conveniente amigo chamava-se Armando Falcão Concentro-me em outras miopias de O Globo. Sem citar CartaCapital, o jornal a inclui entre “os veículos de imprensa chapa-branca, que atuam como linha auxiliar dos setores radicais do PT”. Anotação marginal: os radicais do PT são hoje em dia tão comuns quanto os brontossauros. Talvez fossem anacrônicos nos seus tempos de plena exposição, hoje em dia mudaram de ideia ou sumiram de vez. Há tempo CartaCapital lamenta que o PT tenha assumido no poder as feições dos demais partidos.

 

Vamos, de todo modo, à vezeira acusação de que somos chapa-branca. Apenas e tão somente porque entendemos que os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma são muito mais confiáveis do que seus antecessores? Chapa-branca é a mídia nativa e O Globo cumpre a tarefa com diligência vetusta e comovedora, destaque na opção pelos interesses dos herdeiros da casa-grande, empenhados em manter de pé a senzala até o derradeiro instante possível.

 

Não é por acaso que 64% dos brasileiros não dispõem de saneamento básico e que 50 mil morrem assassinados anualmente. Ou que os nossos índices de ensino e saúde públicos são dignos dos fundões da África, a par da magnífica colocação do País entre aqueles que pior distribuem a renda. Em compensação, a minoria privilegiada imita a vida dos emires árabes.

 

Chapa-branca a favor de quem, impávidos senhores da prepotência, da velhacaria, da arrogância, da incompetência, da hipocrisia? Arauto da ditadura, Roberto Marinho fermentou seu poder à sombra dela e fez das Organizações Globo um monstro que assola o Brazil-zil-zil. Seu jornal apoiou o golpe, o golpe dentro do golpe, a repressão feroz. Illo tempore, seu grande amigo chamava-se Armando Falcão.

 

Opositor ferrenho das Diretas Já, rejubilado pelo fracasso da Emenda Dante de Oliveira, seu grande amigo passou a atender pelo nome de Antonio Carlos Magalhães. O doutor Roberto em pessoa manipulou o célebre debate Lula versus Collor, para opor-se a este dois anos depois, cobrador, o presidente caçador de marajás, de pedágios exorbitantes, quando já não havia como segurá-lo depois das claras, circunstanciadas denúncias do motorista Eriberto, publicadas pela revista IstoÉ, dirigida então pelo acima assinado.

 

Pronta às loas mais desbragadas a Fernando Henrique presidente, com o aval de ACM, a Globo sustentou a reeleição comprada e a privataria tucana, e resistiu à própria falência do País no começo de 1999, após ter apoiado a candidatura de FHC na qualidade de defensor da estabilidade. Não lhe faltaram compensações. Endividada até o chapéu, teve o presente de 800 milhões de reais do BNDES do senhor Reichstul. Haja chapa-branca.

 

Impossível a comparação entre a chamada “grande imprensa” (eu a enxergo mínima) e o que chama de “linha auxiliar de setores radicais do PT”, conforme definem as primeiras linhas do editorial de O Globo. A questão, de verdade, é muito simples: há jornalismo e jornalismo. Ao contrário destes “grandes”, nós entendemos que a liberdade sozinha, sem o acompanhamento pontual da igualdade, é apenas a do mais forte, ou, se quiserem, do mais rico. É a liberdade do rei leão no coração da selva, seguido a conveniente distância por sua corte de ienas.

 

Acreditamos também que entregue à propaganda da linha auxiliar da casa-grande, o Brasil não chegaria a ser o País que ele mesmo e sua nação merecem. Nunca me canso de repetir Raymundo Faoro: “Eles querem um País de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”. No mais, sobra a evidência: Roberto Civita é o Murdoch que este país pode se permitir, além de inventor da lâmpada Skuromatic a convocar as trevas ao meio-dia. Temos de convir que, na mídia brasileira, abundam os usuários deste milagroso objeto.

 

 

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

 

Fonte: Conversa Afiada

Por Protógenes Queiroz às 16h44


 
09/05/2012

Nota de Esclarecimento

 

 

Em esclarecimento à matéria tendenciosa publicada no jornal “O Estado de S. Paulo” de 09/05/2012 sob o título “Protógenes tentou contato com esquema do Cachoeira, diz Polícia Federal”, volto a reafirmar que trata-se de mais uma afirmação leviana “plantada” por pessoas interessadas na obstrução da CPMI do Cachoeira com o objetivo de confundir a opinião pública a respeito do que, verdadeiramente, deva ser investigado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura o contraventor “Carlinhos Cachoeira”.

 

Durante a sessão secreta da CPI, ocorrida ontem (08/05/2012), o Delegado da Polícia Federal Raul Marques, coordenador das operações Vegas e Monte Carlo, citado na matéria, reafirmou em dois momentos que não tenho qualquer ligação com o esquema fraudulento montado pelo senhor “Carlinhos Cachoeira” integrantes do Parlamento e a mídia criminosa que teme investigações mais profundas sobre suas reais ligações com a quadrilha, cuja base fica em Goiânia.

 

Para dirimir qualquer dúvida a respeito do assunto, já encaminhei ofício à Procuradoria-Geral da República solicitando provas e dados que, eventualmente, pudessem me ligar ao esquema de “Cachoeira”. A íntegra do documento, enviado em 11/04/2012, pode ser lida aqui: http://blogdoprotogenes.com.br/?p=3299 .

 

Atenciosamente,

 

Protógenes Pinheiro de Queiroz

Deputado Federal pelo PCdoB – São Paulo

Brasília, 09 de maio de 2012

Por Protógenes Queiroz às 15h20


 
07/05/2012

O problema da Veja é criminal, não apenas ético

 

 

Alguns analistas teimam em analisar o comportamento da Veja -  nas relações com Cachoeira – como eticamente condenável.

 

Há um engano nisso.

 

Existem problemas éticos quando se engana a fonte, se adulteram suas declarações, desrespeita-se o off etc.

 

O comportamento da Veja é passível de enquadramento no Código Penal. Está-se falando de suspeita de atividade criminosa, não apenas de mau jornalismo.

 

Sua atuação se deu na associação com organizações criminosas visando objetivos ilegais, de obstrução da Justiça até conspiração.

 

É curioso o que a falta de democracia trouxe ao país. Analistas de bom nível tentam minimizar as faltas de Veja sustentando que não houve pagamento em dinheiro ou coisa do gênero. Esquecem-se que, em qualquer país democrático, não há crime mais grave do que a conspiração contra as instituições.

 

O acordo da revista com o crime organizado trazia ganhos para ambos os lados:

 

1. O principal produto de uma revista é a denúncia. O conjunto de denúncias e factóides plantados por Cachoeira permitiram à revista a liderança no mercado brasileiro de opinião - influenciando todos os demais veículos -, garantiu vendagem, permitiu intimidar setores recalcitrantes. O poder foi utilizado para tentar esmagar concorrentes da Abril no setor de educação. Principalmente, fê-la conduzir uma conspiração visando constranger Executivo, Legislativo, Supremo e Ministério Público.

 

2. A parceria com Veja tornou Cachoeira o mais influente contraventor do Brasil moderno, com influência em todos os setores da vida pública.

 

Há inúmeras suspeitas contra a revista em pelo menos duas associações: com Carlinhos Cachoeira e com Daniel Dantas que necessitam de um inquérito policial para serem apuradas.

 

Em relação a Dantas:

  1. A matéria sobre as contas falsas de autoridades no exterior, escrita por Márcio Aith.
  2. O dossiê contra o Ministro Edson Vidigal, do STJ. Nele, mencionava-se uma denúncia de uma ONG junto ao CNJ. Constatou-se depois que a denúncia tonava por base a matéria da própria revista, demonstrando total cumplicidade da revista com o esquema Dantas.
  3. A atuação de Diogo Mainardi, levando o tal Relatório italiano ao próprio juiz do caso. Na época, procuradores do MPF em São Paulo explicaram qual seria a estratégia de Dantas (contaminar o inquérito da PF com o princípio do "fruto contaminado") e  sustentaram que Mainardi atuava a serviço de Dantas. Atacados virulentamente por Mainardi, recuaram.
  4. A matéria falsa sobre o grampo no Supremo Tribunal Federal.
  5. O “grampo sem áudio”, entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres.

 

Em relação ao Cachoeira:

  1. O episódio do suborno de R$ 3 mil nos Correios, que visou alijar o esquema do deputado Roberto Jefferson e abrir espaço para o esquema do próprio Cachoeira. No capítulo que escrevi sobre o tema mostro que, depois de feito o grampo, Policarpo Jr segurou a notícia por 30 dias. Um inquérito policial poderá revelar o que ocorreu nesse intervalo.
  2. A invasão do Hotel Nahoum com as fotos de Dirceu, clara atividade criminosa.
  3. A construção da imagem do senador Demóstenes Torres, sendo impossível – dadas as relações entre Veja e Cachoeira – que fossem ignoradas as ligações do senador com o bicheiro.
  4. Levantamento de todas as atividades de Demóstenes junto ao setor público, visando beneficiar Cachoeira, tendo como base o ativo de imagem construído por Veja para ele.

 

Por Luis Nassif via advivo.com.br

Por Protógenes Queiroz às 17h01


 

Documentos da PF mostram que Veja atendia a interesses de Cachoeira

 

 

Escutas telefônicas gravadas com autorização da Justiça revelaram uma ligação sombria entre o chefe de um esquema milionário de jogos ilegais, Carlinhos Cachoeira, e a maior revista semanal do Brasil, Veja. As conversas mostram uma relação próxima entre o contraventor e Policarpo Júnior, diretor da revista em Brasília (DF). Segundo documentos da Polícia Federal, Cachoeira teria passado informações que resultaram em pelo menos cinco capas da Veja, além de outras reportagens em páginas internas, publicadas de acordo com interesses do bicheiro e de comparsas. Trata-se de uma troca de favores, que rendeu muitos frutos a Carlinhos Cachoeira e envolveu a construtora Delta. O escândalo pode levar Roberto Civita, presidente da empresa que publica a Veja e um dos maiores barões da imprensa do País, a ser investigado e convocado para depor na CPI.

 

Assista ao vídeo da reportagem clicando aqui.

 

Fonte: Rede Record

Por Protógenes Queiroz às 14h34


 
27/04/2012

Fenaj alerta jornalistas que cobrem politica

 

 

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Augusto Schröder, alerta que a violência contra jornalistas no Brasil é maior entre os profissionais que cobrem a área política. Ele foi entrevistado pela Rádio Brasil Atual para comentar o assassinato do maranhense Décio Sá, assassinado em São Luís na noite da segunda-feira (23).

 

Schröder afirmou que 60% dos casos de violência contra jornalistas atingem mais esse tipo de profissional. “O que agrava a situação é que esse jornalista tinha um trabalho prioritário na área de política e isso tem sido um sintoma preocupante”, afirmou.

 

Segundo ele, quatro jornalistas foram assassinados no país nos últimos 12 meses. O dirigente citou ainda que um projeto de lei, do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), propõe a federalização dos crimes contra os jornalistas. “Quando os crimes não forem investigados, nem julgados, em um período de 90 dias, que a União possa trazer a si essa investigação através da polícia federal com julgamento nas cortes federais.”

 

O presidente da federação encaminhou pedido de audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, para discutir o problema. “Unindo forças teremos uma reação de Estado, da sociedade e assim sairemos desse incomodo ranking que começa a constituir-se.”

 

Impunidade

 

A morte de Décio Sá, que trabalhava há 17 anos no Sistema Mirante de Comunicação e tinha um dos blogs mais acessados no Maranhão, causou revolta e indignação entre os colegas. O também jornalista Emilio Azevedo, do jornal maranhense ‘Vias de Fato’, afirmou à Rádio Brasil Atual que os assassinatos acontecem naquele estado porque os crimes não costuma ter repercussão nacional. “Assassinar índios, quilombolas, sem-terra é comum e a imprensa quase não registra. No ano passado tocaram fogo no acampamento de um índio, mas o caso nunca foi apurado devidamente”,

 

Mesmo sendo funcionário do grupo Sarney, Décio muitas vezes fazia denúncias contra integrantes do próprio grupo. Segundo Azevedo, o que aconteceu com o colega é reflexo do ambiente pouco civilizado da região. “É difícil trabalhar com a realidade aqui. Nessa região só prevalece a barbárie.”

 

Agência Brasil via pbagora

Por Protógenes Queiroz às 14h15


 
25/04/2012

Falta de fiscalização e ganância provocam erro dos hospitais

 

 

A criança é Marcelo Dino, de 13 anos, filho do ex-deputado federal Flávio Dino. Presente à audiência, Flávio Dino, questionou os representantes do governo a respeito da fiscalização que deve ser feita nos hospitais para evitar a sobrecarga de trabalho dos profissionais de saúde. Ele reafirmou o que disse a deputada Jandira Feghali que, nesses casos, o que geralmente ocorre é a punição do profissional, enquanto o sistema de saúde privado permanece com suas mazelas, fazendo novas vítimas.

 

A declaração do representante do Conselho Federal de Medicina (CFM), Emmanoel Cavalcanti, de que pessoas morrem e que a morte é inerente a condição de vida, chocou os parlamentares. Jandira Feghali disse que não é natural a morte de um jovem de 13 anos, por uma crise de asma, dentro da UTI de um hospital.

 

A deputada destacou, longo no início da audiência, que o caso de Marcelo Dino é uma caso de repercussão e que os que têm visibilidade têm obrigação de trazer a tona o debate para que todos se beneficiem da discussão.

 

Quem fiscaliza

 

A procuradora regional da República da 3ª Região (SP), Maria Iraneide Facchini, criticou a fiscalização que é feita pelo governo aos prestadores de serviço , que se restringe a documentação e preços. E sugeriu que deveria haver fiscalização mais direta e objetiva para evitar erros que causem danos à saúde e evitar morte porque a vida é o bem mais relevante que temos.

 

Os representantes dos diversos órgãos governamentais, convidados para o debate, fizeram explanações rápidas sobre as atribuições de suas instituições, sempre destacando que não eram responsáveis pela fiscalização do funcionamento do hospital. O representante do Ministério da Saúde, Andersom Messias Silva, falou tão rapidamente que recebeu críticas da deputada Jandira Feghali. Ele disse apenas que a atribuição do Ministério é definir políticas no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde).

 

O representante da Federação Brasileira de Hospitais disse que os hospitais já eram extremamente fiscalizados pela vigilância sanitária dos municípios e estados e que não vê espaço para mais fiscalização. Admitiu que os hospitais têm dificuldades, principalmente na emergência, com grande procura porque não existe oferta adequada nos ambulatórios.

 

O representante da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), disse que as atribuições da ANS com relação a esse tema são limitadas e que o papel da Agência é regular os planos de saúde, enquanto a representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), disse que a Anvisa tem o papel indutor para o controle de riscos sanitários que devem ser feitos pelos estados e municípios.

 

Dúvidas e indagações

 

Jandira Feghali disse que o debate tinha como objetivo descobrir as falhas no funcionamento dos hospitais privados e o que é exigido do Congresso Nacional para prevenir novas mortes. E denunciou o fato de que existe uma portaria que veda a terceirização nos hospitais e fica provado, pelo cadastro de servidores mantido pelo Ministério da Saúde, está explicitado que existem trabalhadores terceirizados.

 

E, citando o caso do Hospital Santa Lúcia, disse que em seu site da internet, o hospital diz ter 1.200 profissionais e só 32 trabalhadores cadastrados no Ministério da Saúde. Jandira também citou o caso de um funcionário que declara trabalhar 204 horas por semana, quando a semana só tem 168 horas. O que é preciso, mais leis, portarias, instruções, mais legislação para que vocês possam atuar? Indagou a deputada.

 

O ex-deputado Flávio Dino foi o primeiro a falar após a exposição dos convidados. Ele também demonstrou surpresa com a “frieza desumana diante do evento morte” do presidente do CFM. E indagou às diversas autoridades presentes: para o governo, como o cidadão deve agir quando o hospital erra? Você vai a polícia e apena o profissional é responsabilizado? O sistema, as causas que levaram aquele erro e crime, não são enfrentadas?

 

E pediu explicações sobre o fato de um hospital como o Santa Helena possuir um único profissional para atender a UTI e a Sala de Parto, destacando que no caso do seu filho Marcelo, a criança morreu por falta de assistência porque a médica da UTI estava atendendo na Sala de Parto. Para ele, a explicação é a tentativa de obtenção de lucro máximo pelos donos de hospital.

 

Fonte: Vermelho

Por Protógenes Queiroz às 16h06


 
23/04/2012

Protógenes diz que Dantas e Cachoeira tinham esquemas parecidos na mídia

 

 

O deputado e delegado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) pretende pedir ao Conselho de Ética da Câmara a cassação dos deputados Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Rogério Marinho (PSDB-RN) por quebra de decoro parlamentar. Segundo imagens que obteve recentemente, gravadas pelo circuito interno da Câmara, Guerra indicou e Marinho destruiu um cartaz pedindo a CPI da Privataria Tucana que estava na porta do gabinete de Protógenes.

 

Será chumbo trocado, já que Guerra pediu a cassação de Protógenes ao Conselho de Ética por causa das gravações telefônicas obtidas durante a operação Monte Carlo, que flagraram o deputado comunista conversando com Dadá (ou Chico), o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias Araújo.  A denúncia contra Protógenes foi primeiro divulgada pelo Estadão. O deputado sustenta que herdou um relacionamento profissional com Dadá de quando o sargento atuou na Operação Satiagraha, como agente lotado na Agência Brasileira de Informações (ABIN). As gravações foram usadas numa tentativa de evitar que Protógenes fosse indicado para atuar na CPMI do Cachoeira, recém-instalada no Congresso, o que acabou acontecendo por decisão do PCdoB.

 

Em entrevista gravada esta noite, logo depois de desembarcar em São Paulo, Protógenes não descartou que por trás de Guerra esteja agindo um dos alvos da Operação Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas.

 

Pela lógica, um relacionamento comprometedor com Dadá seria motivo para Protógenes tentar evitar a CPMI, quando foi ele quem apresentou o requerimento inicial de convocação.

 

Protógenes diz que um de seus objetivos na CPMI do Cachoeira será investigar o financiamento de campanhas feito pela empreiteira Delta.

 

Para ele, a Operação Satiagraha, a CPMI do Cachoeira e a CPI da Privataria são ações “estruturantes” do Brasil. Protógenes está convicto de que a comissão de inquérito para apurar as privatizações da era tucana, baseada no livro do repórter Amaury Ribeiro Jr., será eventualmente instalada.

 

Protógenes diz que quando Dadá — que ele chama sempre de Idalberto — participou da Satiagraha, não sabia do envolvimento dele com o esquema de arapongagem de Cachoeira. Mas é óbvio que implicar Protógenes com malfeitos do sargento serve tanto a tucanos quanto a Daniel Dantas.

 

Sobre sua atuação na CPMI, o deputado diz que pretende demonstrar como os esquemas de Daniel Dantas e Carlinhos Cachoeira usavam métodos parecidos: arapongagem, corrupção de autoridades e um braço midiático.

 

O blog Cachoeira de Dados, um dos que fazem varredura na íntegra da Operação Monte Carlo — vazada na internet pelo deputado Miro Teixeira, no blog Lei dos Homens — vem relacionando os jornalistas e órgãos envolvidos com a quadrilha.

 

O post mais recente é sobre uma ligação telefônica com indícios de pagamento de 10 mil reais ao jornal goiano Diário da Manhã. Este é o jornal que chamou a atenção do Viomundo quando deu uma manchete que contradizia o conteúdo publicado. A manchete, em letras garrafais, se baseava em declaração segundo a qual não havia relação de políticos com o esquema do bicheiro Cachoeira. Texto assinado por procuradores, que o jornal publicou na mesma edição, dizia o contrário.

 

O jornal O Estado de Goiás, de Anápolis, também prestaria serviços a Cachoeira, assim como João Unes, do jornal digital A Redação, ex-repórter de O Estado de S. Paulo, ex-editor do jornal O Popular e da TV Anhanguera, da Organização Jaime Câmara, afiliada da Globo em Goiás e Tocantins.

 

O blog também registra a amizade de Cachoeira com o repórter Renato Alves, do Correio Braziliense. Há indícios de que a quadrilha do bicheiro teria usado uma pessoa identificada apenas como “rapaz do G” para plantar uma reportagem no Fantástico sobre bingos ilegais de concorrentes de Cachoeira (detalhes no Doladodelá e no Escrevinhador).

 

Leia a entrevista completa com o áudio clicando aqui.

 

Por Luiz Carlos Azenha pelo site Vi o Mundo

Por Protógenes Queiroz às 15h41


 
17/04/2012

Resposta para a revista Veja

 

 

Caros Editores,


A respeito da matéria "Eles querem apagar o mensalão", da edição 2265, de 14/04/ 2012, página 78, gostaria de esclarecer que meu contato com o Sargento Idalberto Matias Araújo, o Dadá, apontado como integrante do esquema de contravenção conhecido como caso "Cachoeira", deu-se exclusivamente à época da Operação Satiagraha, quando o mencionado oficial era o ponto de ligação entre o Serviço de Inteligência da Aeronáutica e a Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, onde eu era lotado.


Portanto, minha foto publicada num infográfico do contraventor “Carlinhos Cachoeira” (página 80 da citada matéria), encontra-se totalmente fora de contexto, insinuando de forma tendenciosa e faltosa com a verdade que integro um suposto esquema do referido empresário goiano.


Aproveito para esclarecer que o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o possível envolvimento de parlamentares no chamado "Caso Cachoeira" é de minha autoria, fato em nenhum momento noticiado na reportagem.


Atenciosamente,

 
Protógenes Pinheiro de Queiroz

Deputado Federal pelo PC do B/SP

Por Protógenes Queiroz às 14h40


 
16/04/2012

A CPI do Cachoeira vem aí!

 

 

Chegou a hora de sabermos a verdade dos mais de 1.000 áudios de negociatas e roubalheira na República. A velha mídia do Partido da Imprensa Golpista -PIG- e os corruptos envolvidos com o contraventor de Goiás estão com medo da minha participação na CPI, requerida por mim originalmente.


Conto com seu apoio: assine e compartilhe a petição abaixo e faça a sua parte. A luta contra a corrupção também é sua!

 

Acesse a Petição Online clicando aqui.

Por Protógenes Queiroz às 16h13


 
13/04/2012

Fernando Brito: A "operação-abafa" da velha mídia

 

 

Desde quarta-feira (11), a grande imprensa começou a tornar evidente aquela “Operação Abafa” sobre o caso Demóstenes-Cachoeira.

 

Primeiro, o Estadão, com áudios absolutamente vazios de supostas conversas entre o deputado Protógenes Queiroz e o agente “Dadá”, que - ao que parece - arapongava para meio mundo. Protógenes, um delegado de polícia, não tem nenhum diálogo comprometedor com o agente e, se teve, nada melhor que esclarecer isso numa CPI. Aliás, é estranho que seis telefonemas vazios de Protógenes a alguém que, oficialmente, pertencia à um órgão de investigação sejam notícia e não o sejam os 200 telefonemas entre o próprio Cachoeira e o editor da revista veja, Policarpo Júnior, numa parceria “pelo bem do Brasil” que já durava oito anos.

 

Mas na quinta (12) O Globo deixa mais claro o jogo, servindo-se de uma declaração do presidente do PT, Rui Falcão, que liga o caso Cachoeira a possíveis montagens contra o Governo Lula feitas com a ajuda da conexão Cachoeira-Veja, que parece continua a ser um tabu para a mídia.

 

Logo, em nome do esclarecimento do dito “mensalão”, abafe-se a Cachoeira…

 

A democracia não pode conviver com a divulgação seletiva de irregularidades. É preciso que o inacreditável poder de um bicheiro sobre a mais altas figuras da política e da imprensa não fique sendo demonstrado aos pedaços, contra aqueles a que “interessa” desmoralizar, mas encobrindo as figuras que o conservadorismo e a mídia tem no seu altar.

 

Corrupção não é assunto que requeira “segredo de justiça” em sua apuração, salvo em ocasiões especialíssimas, no curso de investigações. E são a mídia e a Polícia Federal, apenas, quem está escolhendo o que deve ser divulgado, a conta-gotas.

 

O povo brasileiro e a própria credibilidade da democracia brasileira exigem que tudo venha à tona.

 

Se Carlos Cachoeira tem ligações com a investigação sobre o “mensalão”, que elas apareçam. Se tem ligação com as denúncias que, onda após onda, a Veja apresentava, servindo-se de escutas e filmagens providenciadas pelo bicheiro, que se apure. Existem pessoasdo esquema Cachoeira que o afirmam expressamente.

 

O que não se pode é fazer da divulgação parcial e seletiva de gravações, escolhendo os personagens e os contextos “que interessam”, uma “verdade” conveniente, que determina quem deve ser execrado e quem deve ser preservado.

 

Do contrário, seria melhor que se desistisse de uma CPI e se deixasse o próprio STM – Supremo Tribunal da Mídia, a mais alta corte política do Brasil – decidisse – como decide há anos – quem deve ser impiedosamente decapitado e quem vai, como fez Demóstenes Torres durante muitos anos, posar de paladino da moralidade, embora enterrado até o pescoço no pântano das cumplicidades escusas.

 

Fonte: Fernando Brito, no blog Tijolaço, via vermelho.org.br

Por Protógenes Queiroz às 15h07


 
12/04/2012

CPI vai revelar a verdadeira '"quadrilha" comandada por Cachoeira e Demóstenes

 

 

Uma publicação do professor Emir Sader na rede social Facebook tem sido rapidamente compartilhada por dezenas de internautas. Parodiando o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, Sader manteve o título e postou: “Gilmar Mendes tem filha que trabalha no gabinete do Demóstenes. Que trabalha para o Cachoeira. Que é amigo do Perillo. Que teve ação arquivada pelo Gilmar Mendes”.


Decifrar e tornar público essas relações foi o que motivou o deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) a recolher as assinaturas para a instalação de uma CPI na Câmara dos Deputados, protocolada no dia 28 de março. Tomou a atitude assim que o bicheiro Carlilhos Cachoeira foi preso na operação Monte Carlo e começaram a vazar as ligações que comprovavam a sociedade do bandido com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).


Protógenes conhece bem essa turma. Quando delegado da Polícia Federal, comandou a Operação Satiagaha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. Aliás, a estrofe de Emir Sader poderia ganhar mais um verso que viria depois da última citação de Gilmar Mendes: “que mandou soltar o Daniel Dantas”.


Quem puxar pela memória, lembrará que a operação encontrou uma ligação telefônica de Demóstenes com Gilmar Mendes. Na época, Gilmar Mendes, ou Gilmar Dantas, como ficou mundialmente conhecido depois de mandar soltar Daniel Dantas duas vezes, fez o maior estardalhaço e com a ajuda do então ministro Nelson Jobim, coseguiu afastar até o chefe da Polícia Federal, Paulo Lacerda.


Heróis do PIG



Demóstenes e Gilmar Mendes são dois dos maiores ídolos da direita brasileira, sempre dispostos a serem as vozes do PIG (Partido da Imprensa Golpista) para atacar os governos Lula e Dilma. Com a prisão de Carlinhos Cachoeira e as revelações de suas relações com Demóstenes e Gilmar Mendes, a direita brasileira e o PIG, que na verdade é a mesma coisa, ficaram desolados.


Órfãos de Demóstenes, ficaram alguns dias na desolação e sem rumo. Agora, que uma CPI mista do Senado e na Câmara começa a ser articulada e pode trazer novas revelações da teia de Cachoeira, o PIG começa a querer jogar no colo do governo as consequências das investigações e mais que isso, dizer que a única intenção do PT em apoiar a sua instalação é tirar o foco do julgamento do caso, que ficou conhecido como “Mensalão”, no Supremo Tribunal Federal.


É essa a tônica das matérias e editoriais do PIG desta quinta-feira (12). Além disso, dizem que o principal prejudicado com as investigações será o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Ou seja, querem mudar o foco totalmente, em 180 graus. Forjam tanto outra realidade que ontem o jornal Estado de São Paulo e o jornal Nacional tentaram ligar até mesmo o deputado Protógenes com a quadrilha. Esqueceram que foi o próprio o autor do requerimento para a instalação da CPI.



Desespero

Essas aberrações desesperadas mostram o temor dos resultados que podem ser obtidos com as investigações. O governo Dilma, que goza de uma aprovação inédita na história recente do país, pode enfraquecer ainda mais sua oposição, muito além de Demóstenes, Perillo, Gilmar Mendes.


Basta lembrar que até a revista Veja, panfleto raivoso da direita brasileira, está envolvida até a cabeça no lamaçal que corre nos barrancos desta Cachoeira. O seu editor Policarpo Jr. trocou mais de duzentas ligações com Cachoeira, que mostram que o bicheiro é o verdadeiro autor de praticamente todas as matérias da revista contra os governos Lula e Dilma.


Quando começou a estourar as faíscas do escândalo, a direita viu que era impossível salvar o seu atacante Demóstenes. Depois viu que a rede pegava também o governador Marconi Perillo. Mas a teia foi crescendo e a quadrilha, como bem descreveu Emir Sader, pode ser muito maior e o episódio deve mostrar ao Brasil como é suja e corrupta a oposição ao governo federal. Em todos os seus níveis, seja no legislativo, no executivo, no judiciário e até mesmo, ou principalmente, na conservadora imprensa golpista.

 

Fonte: Vermelho

Por Protógenes Queiroz às 15h46


 
11/04/2012

Protógenes Queiroz solicita à PGR informações sobre seu suposto envolvimento no caso “Cachoeira”

 

 

Em ofício enviado hoje (11/04/2012) ao Procurador-Geral da República,  Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, o Deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) solicita informações da investigação sobre o caso “Cachoeira” que possam incriminar sua atuação parlamentar, conforme matéria tendenciosa veiculada no jornal “O Estado de São Paulo”.

 

No documento, o Parlamentar questiona a existência  de dados, além de  áudios e vídeos envolvendo  seu nome  e se os mesmos evidenciam conduta criminosa relacionada com o esquema de contravenção do empresário goiano “Carlinhos Cachoeira”, desbaratado pela Polícia Federal através da Operação Monte Carlo.

 

Por fim, Protógenes   pede o encaminhamento das supostas informações com urgência, uma vez que é o autor do pedido de criação da CPI do Cachoeira, que tem como objetivo investigar o envolvimento de parlamentares nos negócios ilícitos do contraventor de Goiás.


 

Por Protógenes Queiroz às 17h37


 

Nota de Esclarecimento

 

O Deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) comunica aos internautas que desconhece os áudios publicados hoje (11/04/2012) pelo jornal "O Estado de São Paulo", em que supostamente o Parlamentar estabelece diálogo com Idalberto Matias Araújo, o Dadá, apontado como integrante do esquema de contravenção conhecido como "Caso Cachoeira", deflagrado pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

 

Protógenes Queiroz  esclarece que os supostos áudios situam-se completamente fora do contexto do caso "Cachoeira", cuja Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi requerida por ele em  20/03/2012.  O Parlamentar do PCdoB ressalta ainda que Idalberto, Sargento do Serviço de Inteligência da Aeronáutica, foi, no passado, oficial de ligação daquele orgão com o a Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, onde Protógenes Queiroz era lotado.

Nota de Esclarecimento

 

Acesse abaixo o link da entrevista concedida por Protógenes Queiroz para a rádio Estadão na manhã de 11/04/2012 esclarecendo o assunto:

                               

http://radio.estadao.com.br/audios/audio.php?idGuidSelect=5F04D7A61E4B4F33A1780DA340E9B0FD

Por Protógenes Queiroz às 11h41


 
10/04/2012

Entrevista para o Jornal A Tribuna

 

O suposto envolvimento do senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM) com o contraventor Carlinhos Cachoeira e a utilização de seu mandato para favorecê-lo decepcionaram brasileiros e deixaram órfãos os cidadãos que defendem o combate à corrupção e a transparência das ações governamentais. Afinal, Torres era considerado um dos paladinos da ética no Congresso Nacional. Contudo, a luta pela moralidade na política está longe do fim.

 

Um dos parlamentares que vêm se destacando na Câmara nessa árdua batalha é o deputado federal e presidente do diretório municipal do PC do B em Guarujá, Protógenes Queiroz.

 

Eleito em 2010 com 94.893 votos, o delegado da Polícia Federal busca enfrentar a corrupção no nível político. Em breve, deve será ser nomeado novo presidente da Frente Parlamentar Mista de Combate à Corrupção do Congresso. O comunista ficou muito conhecido em julho de 2008, quando comandou a Operação Satiagraha, termo indiano que significa a busca constante pela verdade.

 

A ação desvendou um dos maiores esquemas de desvios de recursos públicos (cerca de R$ 17 bilhões), evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na história do Brasil.

 

A iniciativa culminou nas prisões do banqueiro Daniel Dantas, do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Queiroz defende um plano nacional contra a corrupção, por meio de ações como a que apresentou no primeiro dia de mandato: a criação de um projeto de lei que prevê 30 anos de cadeia para corruptos e corruptores. Em 2008, o delegado federal não pensava em entrar na política.

 

Admite que foi difícil mudar de ideia, porque fazia um trabalho técnico de combate à corrupção, mas percebeu que era necessária uma movimentação política para mudar o quadro. Em meio a essa difícil cruzada em âmbito nacional, o deputado federal diz não se esquecer da Baixada Santista e demonstra preocupação com a violência em Guarujá.

 

Por segurança, permaneceu com uma pistola Glock 40 carregada na cintura durante toda a entrevista de 1h30, concedida no dia 2 de abril, em seu escritório político na cidade. E revela, com exclusividade para A Tribuna, que são grandes as chances de ele concorrer à Prefeitura de Guarujá. Confira os principais trechos da entrevista.

 

Em 2008, após o sucesso midiático da Operação Satiagraha, o senhor havia dito que não pretendia ingressar na política. O que fez mudar de ideia?

 

Não foi fácil tomar essa decisão. Foi um caminho muito tortuoso, porque havia uma contradição do trabalho que fazia na Polícia Federal, um trabalho técnico de combate à corrupção, aos desvios de recursos públicos e à lavagem de dinheiro de organizações criminosas nacionais e internacionais. Para mim, entendia que isso já era bastante. A transformação do Brasil se dava nesse nível técnico até pelo sucesso das operações da Polícia Federal. Estávamos conseguindo fazer isso. Um exemplo foi a prisão do ex-deputado federal e ex-coronel da Polícia Militar do Acre, Hildebrando Pascoal (condenado por liderar um grupo de extermínio, integrar um esquema de crime organizado para tráfico de drogas e roubo de cargas e praticar crimes com requintes de extrema crueldade), em 1999. Conseguimos chegar a um nível operacional muito grande.

 

Aquele foi um marco de uma transformação que o Brasil precisava. Outros poderosos foram detidos, como o contrabandista Law King Chong, o ex-governador Paulo Paluf, o ex-prefeito Celso Pitta, o megainvestidor Naji Nahas e até mesmo o magnata russo Boris Berezovsky. Houve um marco de transformação que foi a Operação Satiagraha, em julho de 2008, onde o banqueiro Daniel Dantas foi preso. Uma pessoa muito influente, com muito dinheiro e extremamente perspicaz, que contamina o estado brasileiro e consegue cooptar quadros do Governo, financiando campanhas políticas. Se fosse para fazer o bem, seria bom, mas é para dilapidar o patrimônio público e agir de maneira criminosa. A partir dali, sofremos um revés.

 

Naquela época, houve um grande debate público sobre corrupção, contaminação do Estado e venda do subsolo brasileiro sem nenhum critério de fiscalização. Atingimos o nível máximo de estrutura corrupta do Estado, que era comandada pelo Daniel Dantas. Ele era o grande gestor. Com isso, percebemos que o nosso trabalho se encerrava ali com a condenação dele por 10 anos de prisão, R$ 12 milhões em multas, bloqueio de cerca de US$ 3 bilhões. Por outro lado, não conseguimos avançar mais, ou seja, toda a estrutura que estava em volta dele ainda permanece e é muito forte no Estado brasileiro.

 

Não houve uma conclusão final da Satiagraha, apenas encerramos a primeira etapa, que demonstrou o nível de contaminação do estado brasileiro. Isso não pode ser combatido somente no nível técnico e exige que as estruturas políticas se movimentem. Na Satiagraha, houve uma inversão de valores contra o próprio Estado. A partir dali, passamos a ser perseguidos. O bandido passou a ser vitimizado e os agentes do Estado foram desqualificados pelo trabalho.

 

Esse debate passou a ser feito nas três esferas de governo e na sociedade. Todos sentiram a necessidade de debater a corrupção nacional na estrutura do Estado. Nesse processo de investigação, condenação e até mesmo de perseguição contra mim e outras pessoas que participaram da operação, muitas coisas foram reveladas. Alguns ficaram do lado do bandido e outros do nosso lado. A maioria da população ficou do lado do bem.

 

A estrutura corrupta resistia ao que foi revelado. Com isso, entendi que deveria combater essa estrutura política em outro nível dominante na época, que era hegemônica, mas hoje já não é mais. Permanece e continua forte. Diante disso, fui convidado por várias entidades civis para explicar o que aconteceu durante a Satiagraha. Fiz dessas palestras uma prestação de contas do que foi realizado na Polícia Federal nos últimos anos, em especial na Satiagraha. Fui procurado por vários partidos políticos. Houve resistência das minha parte, entendia que o que fazia era o correto, queria voltar, mas as portas na Polícia Federal se fecharam. Dizia que seria candidato a carcereiro da penitenciária federal onde estaria preso o Daniel Dantas e outros corruptos.

 

O senhor teve muitos votos para quem foi candidato pela primeira vez. Como foi a campanha?

 

Percorri 340 municípios paulistas. Fui nesses locais a convite. Sempre fui bem recebido e com muito respeito. Tive uma grande concentração de votos na capital paulista. Na Baixada Santista, recebi quase 10 mil votos (na verdade foram 8.175). Fiquei muito grande com essa votação na região. É um reconhecimento e representa que há uma politização muito grande da população.

 

Como foi sua recepção ao chegar ao Congresso?

 

De muita desconfiança. No primeiro dia de mandato, no dia 2 de janeiro do ano passado, apresentei o projeto de lei que prevê a detenção de 30 anos para corruptos. Alguns disseram que não era um projeto muito simpático. Tive a sensação de que iria incomodar uma minoria. O projeto já está para ser votado em plenário em regime de urgência. (...) Sou o deputado que mais participa de comissões, subcomissões e frentes parlamentares na Câmara (18). Para a maioria delas, fui convidado pelo presidente Marco Maia (PT-RS) e por colegas tanto da situação como da oposição, como a comissão externa para investigar o vazamento de petróleo na Bacia de Campos, no final do ano passado.

 

Houve alguma situação curiosa que o senhor e algum parlamentar que você investigou ou prendeu?

 

Há uma certa contradição por ocupar a mesma vaga de pessoas que prendi, como o Paulo Maluf (PP), mas o respeito pelo fato dele ter sido eleito com uma votação popular. É uma contradição o carceireiro e o prisioneiro ocuparem a mesma vaga no Legislativo, na Comissão de Constituição e Justiça. Às vezes, fico me perguntando que país é esse...

 

Leia a entrevista completa aqui.

 

Fonte: Jornal A Tribuna

Por Protógenes Queiroz às 14h40


 
Sobre o autor

Protógenes Queiroz é delegado da Polícia Federal. Foi quem efetuou a prisão de Paulo Maluf, do contrabandista Law Kin Chong, Daniel Dantas (banqueiro), Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Estiveram sob sua coordenação, em parceria com a Promotoria de São Paulo investigações do caso Corinthians/MSI , por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Queiroz também presidiu o inquérito sobre remessas ilegais de dinheiro para paraísos fiscais, que desvendaram movimentações de cerca de cinco milhões de dólares, das quais o ex-prefeito Celso Pitta seria o principal beneficiário.

Sobre o blog

A finalidade do blog é discutir e ampliar o debate sobre a corrupção no Brasil, a este antigo mal que corrói as instituições e os Poderes constituídos. Na lista de 2006 dos 163 países nominados pela Transparency International, o Brasil já aparecia, à época, ocupando a 70ª posição -, ao lado da Índia, China e México. É necessário enfrentarmos os problemas, uma vez que se torna mais fácil conquistar a soberania de um país dividido, sem identidade e corrompido, ao invés de uma pátria forte, convicta e esclarecida.

Histórico


©2009 Lorem ipsum dolor sit amet - Todos os direitos Reservados
Hospedagem: UOL Host